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Wednesday, October 12, 2005





Sem palavras:

Tuesday, October 11, 2005





Prato cheio.

Falar de comida antes do almoço é temerário. Apesar de, nessas fotos, o “apetit apeel” não ser o foco, só a idéia, só a palavra já abaixa o açúcar de um diabético. Hipoglicemia garantida. Mesmo as fotos de Nara em sua fase dark de vésperas de Hallohyn, (acho que não é bem assim que se escreve) ou Raloím para nosotros, cucarachos. De qualquer forma, os tomates dela dão medo. Estão carregados de uma negatividade que neste trabalho é processo: as imagens estão em negativo. Entraram para a categoria de seres negativos espectrais. Ela quis publicar assim, em negativo e, se muito não me engano, até o tomate vermelho é negativo, se é ela fotografou tomate verde e inverteu. Imagino como ela poderia ter conseguido isso, mas nem pergunto: segredo profissional é segredo profissional. E se ela responder que foi através de umas palavras mágicas... Fome. Essa palavra que dói na alma até mesmo de quem convive com ela por opção. Essa palavra pode transformar qualquer príncipe em sapo e princesa em tomates de raloín. (título da primeira foto da Nara). Malouh vai num outro sentido: positivando. Mais mãe que nunca, procura o lado alimentício da comida, provedora, com olhar de Santa fotografa a Santa tia Júlia, que nos é tão querida com seu olhar maternal e sincero, com seu Célio, seu marido, que não precisa nunca deixar de ser sério para levar a vida com alegria. Abençoados sejam estes amigos que nos nutrem de carinho e de proteínas e colágeno às nossas cachorras, fornecendo-lhes os pezinhos de galinhas. O humor vem de graça: da última vez que fui comprar, seu Célio respondeu ( sempre sério) à minha pergunta inicial “Tem pezinho?”: - “Só veio pé direito desta vez.
Diz que o pé esquerdo dá azar..”As fotos da padaria são um poema. Uma oração nossa de cada dia, perdoai nossas dívidas, bendito o fruto, e tudo mais.

Saturday, October 08, 2005


Se v. considerar o título do post anterior em função deste, aí v. constrói uma perspectiva. É a presença desta perspectiva que está sempre presente nas fotos de Malouh. Ela conta uma história em um único frame. Atrás de um primeiro plano, ela permite emergir, em seu olhar, segundos planos. Ao contrário de Nara, a ela não interessa as técnicas, os cálculos, a premeditação. Ela só se satifaz quando sua intuição trabalha junto com a intenção. É nesse momento que a poética de seu olhar dá um click. Em parceria com sua simples e tecnicamente surpreendente Polaroid digital.É neste momento, único, que a consciência se une ao vir-a-ser para registrar a poesia. Malouh mesma se surpreende e surpreende a todos nós com a qualidade imanente de sua percepção da vida e das coisas, qualidade que exerce não só em relação à fotografia, mas à arte, à cultura, à política e todos as outras manifestação da antropologia humana.
Que ela refaz continuamente em reflexões cada vez mais profundas. Criar, para ela, tem que ser como as funções humanas mais simples e vicerais: “...tem que ser como tomar café, escovar os dentes, fazer xixi” disserta ela sobre como encara o exercício da fé e da religião. E eu devolvo, com toda fé, também, sobre a sua fotografia.

Friday, October 07, 2005



Nara vive nos EUA. É médica no Brasil.Lá é fotógrafa. Aqui é reumatologista. Lá, artista da luz. Ou melhor: do olhar. Lá, faz pós graduação em Nara, cursos do olhar na Ucla e laboratório de fotografia em casa. Foi fazer laboratório de reumato. Acabou num darkroom no banheiro de casa. O fotógrafo que não fez laboratório é um alquimista que ainda não tem forno, sem athanor. É no escuro que brilha a luz. Achei a frase num formulário alquímico do século 13. Mas, voltando à química, laboratório de fotografia e prata fina. Ácidos e fixadores, o império dos cheiros reveladores. E no escuro da luz vermelha as imagens se mostram ao pouco nos papéis sensibilizados. Os papéis são um estudo à parte nesta história, os mais contrastados (F) os mais matizados, (W), etc.
O resto é uma infinidade de truques, manhas, controles de temperatura, tempo de exposição à luz e a cada química, que cria uma variedade de possibilidades para o laboratorista que for procurar seu ouro alquímico. Nara procura seu ouro alquímico mergulhando em si mesma ao mesmo tempo que mergulha em seu laboratório. Suas fotos nos revelam isso. Elas vêm plenas de intensidade. Quase dramática a força dessas luzes que desenham o brilho dos metais e revelam as imperfeições desta porta como se a luz fosse revelar, a qualquer momento, sua imaterialidade quântica, (Nara é casada com Daniel, um físico especializado em ótica quantica, e mostrar as luzes de outros tempos que a saturação das camadas de esmalte revelam. Quando voltar ao Brasil Nara, acredito vá continuar estando medicina, (residência em psiquiatria para fazer psicanálise depois). Por enquanto ela vive este mergulho em sua arte, o que vale dizer em si mesma.
Naquele livro de alquimia que comentei, o processo alquímico é chamado de “espelho da arte”. Quem se mira nele, reflete sua psique, mas não como na psicanálise, como uma psicosínte.

Thursday, October 06, 2005

Fuso difuso/curadoria e crítica de Odilon Cavalcanti


Agô, Seu Tranca.
por Odilon Cavalcanti

artista plástico/curador/educador
fotos e projeto Nara Gualberto/
Malouh Gualberto

edição: Gabi Gualberto


Tarefa ingrata: testemunhar com palavras, imagens que valem por mil. Dois mil no caso. Vezes 4. não sou tão prolixo.Tarefa ingrata: comentar trabalho de pessoas tão próximas. Mulher e filha. Tarefa ingrata: achar na coincidência do fuso horário e de temas sacados da vida cotidiana a distância que tranca a presença com chave que a lembrança e a tecnologia ousam burlar. Tarefa ingrata: comentar a luz que o mesmo sol espalha para todos. Comentar as luzes diversas que flashs distintos iluminam para sensibilidades distintas de máquinas distintas. Uma simples, de poucos recursos e muitas surpresas, que o olhar de Malouh revelam com uma poética que poucas vezes deixam de me fazer abrir os olhos um pouco mais (a surpresa arregala os olhos). Outra, sofisticada, que a capta diferenças cromáticas e de luz que o olhar clínico de Nara separa do mundo para nos mostrar: olha aqui: o mundo pode ser muito revelador quando olhado com esta intensidade. Tarefa ingrata: comentar forma e conteúdo de um olhar que é para todos e para todos os comentários: uma porta, uma fechadura, uma tranca. O mesmo medo que impõe limites para o outro. Para o que não respeita limites. E que nos põe a chave na mão para abrir ou pra fechar. A porta como limite do lar sagrado em contraposição com o espaço profano das ruas onde se dá passagem a quem quer e quem queira. Limiar da identidade e do mundo: chave, corrente e/ou mandinga de defesa. Pra todo mundo poder só deixar entrar o que lhe convém. Penso na Internet, nos harkers invasores, no respeito de quem constrói e no desrespeito de quem destrói. Penso na mandinga tecnológica do “fire wall” que protege estas máquinas. Tarefa ingrata. Penso em Nara e na Malouh e como estas imagens e o exercício desta proposta de construção de um blog de confuso fuso as trazem mais para perto, entre si e para mim e o mundo. Grata tarefa. A porta que se fecha é a porta que se abre. Mundo, vasto mundo...o resto do poema do dia a dia.